Cooperativas agrícolas de todo o estado defenderam a necessidade de investir mais no beneficiamento de produtos da agricultura familiar. A melhoria na carga tributária que incide sobre o setor também foi uma solicitação feita pelos cooperados em reunião da Frente Parlamentar em Defesa do Cooperativismo, realizada pela Assembleia Legislativa de Pernambuco, nesta segunda.
A integrante do Conselho de Cooperativas Agropecuárias de Triunfo, no Sertão do Pajeú, Nadjanecia Santos, afirmou que os altos impostos têm dificultado a vida dos produtores da região. “Está se acrescentando um imposto que não existia ano passado. Eu estou falando da questão da rapadura, que era isenta de ICMS em todo o Brasil e hoje está se cobrando para vendas no Sul e Sudeste o imposto da rapadura, que não existia anteriormente.”
Da mesma forma, o representante dos produtores de uva no Sertão do São Francisco, Jailson Lira, defendeu um regime tributário especial para as cooperativas, já que elas não visam o lucro. Ele pediu, ainda, atenção com o tráfico de drogas que tenta usar, ilegalmente, os contêineres de exportação. “Principalmente nos portos tem se criado verdadeiras gangues de traficantes que inserem drogas nos contêineres, dentro das caixas das frutas, e a gente tem tido uma imagem muito negativa por conta disso, sem que os produtores rurais tenham qualquer participação nesse tipo de evento.”
Já o presidente de uma cooperativa de São João, no Agreste Meridional, Paulo Mota, fez uma defesa pela diversificação dos sistemas agrícolas. Hoje, o município é o maior produtor de feijão de Pernambuco, mas tem potencial para expandir outras culturas. “Além de outros produtos, que sejam produtos que a gente possa agregar valor, como o girassol e o amendoim, a gente não vender ele ‘in natura’, mas que a gente possa transformar, tirar o óleo, fazer essa questão toda.”
O mesmo objetivo foi apresentado pela Cooperativa Agrícola de Sapucarana, distrito de Bezerros, no Agreste Central. A presidente Maria Risonete disse que a prioridade é agregar valor ao tomate de mesa. “Nós estamos organizando para montar uma unidade de beneficiamento para processar o tomate seco e também fazer ketchup, extrato de tomate, molho.”
Na mesma linha, a presidente da Cooperativa de Desenvolvimento da Agricultura Familiar de Pernambuco, Ângela Nascimento, explicou como o beneficiamento pode movimentar a economia local. “Hoje a gente está tentando ganhar mercado, como as grandes redes de supermercado, esse assim é o nosso grande desafio no momento.”
O coordenador dos trabalhos, deputado Waldemar Borges, do PSB, demonstrou apoio à iniciativa. “Eu acho que é fundamental esse salto, para deixar de vender o produto na forma dele mais primária – digamos assim – e agregar valor, faz a diferença, dá uma outra qualidade e um outro retorno financeiro à cooperativa, eu acho que isso é muito importante.”
A reunião foi realizada de forma online. Para mais informações, acesse www.alepe.pe.gov.br.
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